Os Sistemas Límbicos | mind

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    O sistema Límbico está localizado nas profundezas do cérebro. Ele se desenvolveu quando os pequenos mamíferos apareceram pela primeira vez, há cerca de 200 milhões de anos. Esse “antigo cérebro mamífero” trabalha intimamente com o tronco encefálico e o próprio corpo para criar não apenas nossos instintos básicos, mas também nossas emoções. Esses estados sentimentais são plenos de sensação de significado porque os sistemas límbicos avaliam nossa situação atual. “Isso é bom ou ruim?” é a questão mais básica com que o sistema límbico se defronta. Direcionamo-nos para o bom e nos afastamos do ruim. Dessa forma, os sistemas límbicos ajudam a criar emoções que despertam respostas, que nos estimulam a agir diante do significado que atribuímos àquilo que nos afeta naquele momento.

 

    O Sistema límbico também é crucial para formarmos relacionamentos e nos tornarmos emocionalmente ligados uns aos outros. Se você já criou peixes, sapos ou lagartos, sabe que estes não mamíferos não formam laços afetivos com você – nem uns com os outros. Por outro lado, ratos, gatos e cães possuem um sistema límbico mamífero. Laços são o que eles – e nós – formamos. Estamos equipados para nos conectar uns com os outros graças à nossa herança mamífera.

   

    O sistema límbico exerce importante papel regulatório através do hipotálamo, o principal centro de controle endócrino. Por meio da glândula pituitária, o hipotálamo envia e recebe hormônios do corpo todo – influenciando, sobretudo, nossos órgãos sexuais e glândulas tireóide e suprarrenal. Por exemplo, quando estamos estressados, secretamos um hormônio que estimula as suprarrenais a liberarem o cortisol, que mobiliza energia ao colocar nosso metabolismo inteiro em extremo estado de alerta para enfrentar o desafio. Essa resposta é extremamente adaptativa frente a um estresse de curto prazo, mas pode se tornar um problema a longo prazo. Se enfrentarmos uma situação avassaladora, com a qual não conseguimos lidar adequadamente, os níveis de cortisol podem se tornar cronicamente elevados. As experiências traumáticas, em particular, podem sensibilizar a reatividade límbica de modo que até estresses menores podem provocar a liberação de cortisol, tornando a vida cotidiana mais desafiadora para a pessoa traumatizada. Esses altos níveis de cortisol também podem ser tóxicos para o cérebro em crescimento e interferir no próprio crescimento e funcionamento correto do tecido neural. Encontrar uma forma de reduzir os disparos límbicos reativos excessivos é crucial para reequilibrar as emoções e diminuir os efeitos maléficos do estresse crônico. Como veremos, a visão mental pode nos ajudar a convocar áreas superiores do cérebro para criar um “controle cortical” dessas reatividades límbicas.

    A área límbica também nos ajuda a criar várias formas diferentes de memória – de fato, de experiências específicas, de emoções que dão cor e textura às experiências. Localizada de ambos os lados do hipotálamo central e da pituitária, dois aglomerados específicos de neurônios responsáveis por esta atividade foram intensamente estudados: a amígdala e o hipocampo. No formato de uma amêndoa, a amígdala é considerada especialmente importante para a resposta ao medo. (Embora alguns autores atribuam todas as emoções à amígdala, pesquisas mais recentes sugerem que nossos sentimentos gerais, na verdade, originam-se de áreas da zona límbica mais amplamente distribuídas, do tronco encefálico e do próprio corpo, que estão imbricados em nosso funcionamento cortical também.)

   A amígdala pode despertar uma resposta instantânea de sobrevivência. Por exemplo, uma vez,  Antonio e seu filho estavam caminhando na montanhas da Serra Nevada, quando uma sensação repentina de medo paralisou Antônio que gritou para o seu filho: “Pare!” Somente após o pai gritar para o seu filho que ele pode perceber a razão – a amígdala, em constante vigília, tivera uma percepção visual, sob a consciência, de um objeto enrolado em seu caminho. Felizmente, o filho que ainda não era um “aborrecente” parou e conseguiu escapar da cobra cascavel que, posicionada para o ataque, compartilhava a trilha com eles. Nessa circunstância, viu que os estados emocionais podem agir sobre nós, sem mesmo estarmos conscientes deles. Isso pode salvar nossas vidas – ou pode nos fazer agir de determinadas formas das quais nos arrependeríamos profundamente mais tarde. Para nos tornarmos conscientes dos sentimentos dentro de nós – ou seja, para conscientemente percebê-los e entendê-los – precisamos ligar estes estados emocionais criados no subcórtex ao nosso córtex.

Finalmente, chegamos ao hipocampo, um conjunto de neurônios no formato de um cavalo marinho que funciona como um “montador de quebra-cabeça” profissional, ligando áreas do cérebro amplamente separadas – desde as regiões perceptivas ao repositório de fatos e a nossos centros linguísticos. Essa integração dos padrões de disparos neurais converte nossas experiências do momento em memórias. O Sr. Antônio podia narrar a sua história da cobra, pois o seu hipocampo ligou vários aspectos daquela experiência – sensações em seu corpo, emoções, pensamentos, fatos, reflexões – formando um conjunto de lembranças de fatos vividos.

    O hipocampo se desenvolve gradualmente durante os primeiros anos e continua a criar novas conexões e até mesmo novos neurônios ao longo de nossa vida. À medida que amadurecemos, o hipocampo integra as formas básicas da memória emocional e perceptiva em lembranças factuais e autobiográficas, estabelecendo as fundações para que ele pudesse contar sobre aquele encontro, há muito tempo, com a cobra, em Serra Nevada. No entanto, essa capacidade singularmente humana também depende do desenvolvimento da parte superior do cérebro, o córtex.

Gra Lemes 
Campanha-MG